Jornalista especializada em coberturas de meio ambiente e comunidades tradicionais. Em 2026 recebi o prêmio de jornalismo-texto da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR/Ministério Público Federal) pela série “Terra do Meio: Da Rio+20 à COP-30″, publicada Correio Braziliense: seis matérias, em 9 páginas, seis capas e 15 fotos de minha autoria, sobre indígenas e ribeirinhos que vivem em um mosaico de 11 unidades de conservação e 15 terras indígenas no sudoeste do Pará, viagem realizada ao longo da Transamazônica e em 2 mil km de canoa pelos rios Xingu, Iriri e Riozinho do Anfrísio. Na Amazônia tenho coberturas no Pará, Acre, Rondônia, Amapá, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. Em longos percursos de campo, como acompanhando estudantes ribeirinhos na Estação Científica do Museu Goeldi, no município de Melgaço, na Floresta Nacional de Caxiuanã, no arquipélago de Marajó; em seringais do Acre e ainda em expedição de canoa acompanhando o extrativismo de castanha e povos quilombolas em reservas do Amapá. Aprendi ainda a agilidade das matérias do dia cobrindo, por exemplo, mobilizações indígenas em momentos tensos dos indígenas em Brasília, como durante o julgamento do Recurso Extraordinário RE 1.017, reconhecido pelo STF com status de “repercussão geral” em todas as decisões demarcatórias de terras indígenas no país. Fiz jornalismo em todas as regiões do Brasil, com experiência complementada pela visão sobre a formulação de políticas públicas e trato dos acordos internacionais do Brasil na área ambiental – em seis anos no Ministério do Meio Ambiente, como assessora de comunicação da Secretaria de Mudanças Climáticas, onde tive a oportunidade de prestar consultorias a projetos de organizações como PNUD e WWF e também em eventos como a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio + 20).

O jornalismo me empurrou para as imagens. Embora eu não me considere fotógrafa — por não ter o compromisso correto com a câmera que só uso quando o bicho pega — em viagens eu assumo a pauta inteira, ética e profissionalmente, escrevo e fotografo. E também faço uns ensaios com roteiros de vídeos, como estes com os Guarani do Rio Grande do Sul:
Quero contar a história da ocupação do primeiro trecho da Transamazônica. Eu estava ruminando esse projeto há uns 15 anos, até que um dia em agosto de 2023 resolvi não deixá-lo mergulhar no mar das frustrações, sem ao menos tentar. Pedi a um vizinho pra me ajudar a tirar o banco de trás do automóvel e em seu lugar improvisar uma cama. Essa primeira viagem foram 7 mil km entre Brasília, Belém, Altamira e Santarém, onde coloquei o carro num navio pra estar no Círio em Belém, e de lá de volta pro DF. Agora em dezembro de 2024 estou fazendo a quarta viagem à Altamira. Esta é a segunda vez que vou sem carro. Esse é um projeto até agora independente, pois eu não poderia buscar qualquer recurso financeiro sem saber o que realmente encontraria no caminho. Estou fazendo um livro-reportagem e já andei muito pra poder desistir (sim, amarrei as dúvidas e os medos num saco, mas foram na bagagem e gritam o tempo todo). (Edição Ana Mendes. Imagens Rejane Agra. André Dusek no apoio na preparação da partida)



Cheguei em Porto Velho em 17 de fevereiro de 1982, pouco mais de um ano depois de me formar em Comunicação na PUCRS. De cara encontrei as comunidades eclesiais de base e os movimentos sociais. A cidade tinha cinco jornais diários. O território federal tinha sido recentemente transformado em estado, o Banco Mundial jorrava dinheiro na destruição ultra acelerada das florestas e os indígenas eram massacrados em mortes brutais. Rondônia marcou pra sempre minha vida, ainda convivo com a maior parte dos amigos e amigas que fiz lá. E o jornalismo que aprendi na Amazônia está vivo até hoje.
O Conselho Indigenista Missionário foi uma importante escola. Eu conheci o Cimi em Porto Velho e trabalhei no secretariado nacional em Brasília durante a Constituinte. Tive a oportunidade de entender a história e ver o movimento indígena do amplo mirante que é o trabalho na capital federal. Posso dizer: “um deslumbre” para a pouco experiente jornalista que eu era naquele tempo, com o coração batendo forte, os acompanhando nas articulações políticas que redundariam no Capítulo dos Índios conquistado na Constituição pela luta. Na foto, na UnB, com lideranças históricas Kayapó, Tucano e Baré. (Arquivo Cimi, com arte da fotojornalista e minha filha Ana Mendes, sobrepondo imagens que remetem inclusive à Estrada de Ferro Madeira Mamoré, onde moramos na Candelária, lugar de antiga estação, na margem do rio Madeira)
No meio do rio Jari, na divisa do Amapá e Pará. A foto é do Maciel Castelo, o castanheiro que acompanhei em expedição de canoa no Jari. Foi dele e do seu tio Braz a ideia de testar minha coragem (rsrsrs) me colocando em uma pedra no meio do rio, cheio de jacarés, enormes piranhas pretas com dentes de pitbull (um dia, uma delas se grudou no cabo do remo da canoa enquanto Maciel tirava peixes da rede, foi quando vi a dentadura poderosa e amedrontadora). Eu queria fotografar o barranco onde ficava nosso acampamento (abr/2020)
